Recomeço

Ciclos, períodos, fases, níveis, sejam o que for, a vida é feita deles. Uns mais longos e duradouros, outros tão curtos que nem sentimos passar. Alguns vem com a intensidade de um trem à 300km/h, outros tão rápido quanto meu pensamento consegue andar (por sinal, vale lembrar, meu pensamento é tão lento quanto uma lesma andando sob o asfalto em um dia de Sol).

Recentemente saí de um longo ciclo, o qual não cabe ser citado neste espaço, uma vez que é algo muito pessoal. O que posso dizer é que, durante este ciclo, me moldei, adaptei e tentei ser alguém diferente, embora ainda o mais sincero e aberto possível, e deixei para trás atividades, pessoas e oportunidades para ser este alguém.

Ou, como alguns amigos mencionaram, me anulei por muito tempo.

Após sair deste ciclo, muitas coisas caíram em cima de mim como uma avalanche: redescobrí a música, os desenhos, o texto a poesia, meus amigos, os quais havia deixado em favor de algo que, pouco a pouco, me corroía por dentro. Passei, também, a conversar com o meu eu de 17 anos atrás, lendo o que escrevia, compunha, vendo fotos e me recordando de como realmente sou: um completo platônico.

Não que seja algo ruim, pois o fato de ser assim me trouxe toda a inspiração para escrever, compor e ilustrar. Trouxeram-me, à época, o drive para que pudesse levar minhas vontades e sonhos, correr atrás deles e torná-los reais, mesmo que não os realizasse completamente. Por ser assim, pude conhecer pessoas essenciais para minha vida, tocar em bandas as quais até hoje tenho o maior prazer de ter sido parte e aprendido muito, muito mesmo.

Redescobrir este meu lado, também, me trouxe novas pessoas, amigos e oportunidades, certas coisas que também não cabem a este blog, mas também farão parte desta história.

Não que este longo ciclo tenha sido de todo mal, porém.

Aprendi muito, tive alegrias, conheci pessoas, visitei lugares e tive diversas experiências que, mesmo com todas as travas sobre o que pensava e desejava, hoje fazem parte do que sou. E sou muito grato à isso, por mais que este ciclo tenha se acabado de uma forma não tão doce e cordial como quando se iniciou.

Errei? Claro, afinal não sou um robô. Tropecei e ainda continuo a tropeçar, enquanto aprendo a ser eu mesmo, manter a calma e enxergar melhor tudo o que não pude enquanto seguia nos trilhos. Não sei por quanto tempo continuo a me acidentar, o quão rápido consigo aprender e no que todas estas mudanças vão levar, mas sinto que, neste momento, estou realmente “vivendo”.

Ainda estou a refletir sobre tudo, todos, sobre mim mesmo, quais caminhos seguir e como segui-los. Sei que obstáculos internos e externos vão aparecer mas, sinto que hoje sou mais forte para passar por eles. Sinto que, finalmente, enxergo todos ao meu redor, o quão bom é tê-los comigo e, também, sentir isso tudo.

Também, novidades e situações inesperadas têm me trazido um novo tipo de drive, este o qual desejo realmente abraçar e também usar como referência para uma melhora pessoal, e quem sabe ter inspiração para novas ideias ou realizações.

É, realmente, uma boa hora para estar vivo, mesmo que em cima de uma montanha-russa.